Tumores benignos dos ossos

São vários os tipos de tumores benignos localizados existentes, que apresentam a propriedade de não se disseminarem à distância.

Tipos

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Os tumores benignos dos ossos são classificados consoante os tecidos que propiciam o desenvolvimento de formações anómalas. Os mais frequentes e mais graves são os originados na cartilagem e no tecido conjuntivo.

O condroma é um tumor formado a partir das células de cartilagem presente nos ossos. O tumor tanto se pode desenvolver no interior da cartilagem, denominando-se encondroma, como na superfície do mesmo, designando-se excondroma. O mais comum é o encondroma, que se costuma manifestar antes dos 20 anos de idade, afectando normalmente os ossos das mãos e dos pés.

O osteocondroma é um tumor misto, formado por células ósseas e cartilagíneas, crescendo a partir da superfície do osso. Costuma surgir entre os 10 e os 20 anos de idade, encontrando-se normalmente situado nas extremidades dos ossos longos dos membros (fémur, tíbia, úmero, rádio) e junto a articulações como o joelho ou o cotovelo. Para além disso, costuma aumentar de tamanho durante a época de crescimento da adolescência. Embora geralmente apenas forme um único tumor, por vezes, é possível que se desenvolvam inúmeros tumores deste tipo, com um grande risco de se tornarem malignos com o decorrer do tempo.

O osteoma é um tumor que, embora exclusivamente formado por osso normal, é muito denso, devido ao facto de derivar do periósteo. Pode aparecer em qualquer idade e costuma localizar-se nos ossos do crânio e da face e, com menor frequência, na bacia e na omoplata. Embora os osteomas se caracterizem por um crescimento lento e por nunca se tornarem malignos, por vezes, o seu desenvolvimento pode originar complicações devido à compressão das estruturas adjacentes, como as nervosas, se o tumor for no crânio.

O osteoma osteóide é constituído por osteoblastos, células formadoras de osso e caracteriza-se por apresentar uma zona central onde predomina a destruição do osso, denominado "ninho" e rodeado por uma camada de osso muito duro. Costuma manifestar-se entre os 10 e os 25 anos como um pequeno tumor, no máximo com 1 cm de diâmetro, localizado nas diáfises dos ossos longos dos membros inferiores (fémur, tíbia) ou, com menor frequência, nas vértebras.

Embora o osteoblastoma seja semelhante ao osteoma osteóide, as suas dimensões são mais significativas e apresenta um "ninho" maior, com vários centímetros de diâmetro e uma camada de osso cortical à volta menos espesso. Costuma evidenciar-se entre os 10 e os 35 anos, encontrando-se normalmente situado nos ossos longos dos membros inferiores (fémur, tíbia) ou nas vértebras e, com menor frequência, no crânio, na bacia ou nas costelas.

O osteoclastoma é predominantemente formado por osteoclastos, as células encarregues da destruição dos ossos no processo de renovação destes. Costuma manifestar-se entre os 20 e os 30 anos, encontrando-se normalmente situado nas extremidades dos ossos longos dos membros inferiores (fémur, tíbia) ou superiores (rádio).

Manifestações

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Dado que os tumores benignos do osso caracterizam-se normalmente pelo seu lento crescimento, apenas costumam provocar manifestações ao fim de vários anos de evolução, quando adquirem um volume significativo.

O principal sintoma corresponde a uma dor, mais ou menos intensa, localizada na zona de crescimento do tumor. Embora alguns tipos de tumor não originem dores muito intensas, existem outras formas, como o osteoma osteóide, que provocam uma dor muito aguda.

Caso o tumor se localize na superfície do osso e cresça até ao exterior, costuma originar uma dilatação perceptível como uma tumefacção por baixo da pele, podendo até mesmo ser detectada pelo tacto como uma dilatação óssea.

Se o tumor se situar na extremidade de um osso longo, pode comprimir as estruturas de articulação e provocar uma limitação dos movimentos, a qual não costuma ser muito significativa.

Se o tumor afectar o periósteo, a sua maior fragilidade faz com que se possam desenvolver fracturas espontâneas ou com traumatismos mínimos.

Por fim, é preciso destacar que alguns tumores benignos têm tendência para se tornarem malignos à medida que o tempo vai passando. De qualquer forma, esta possibilidade de evolução desfavorável varia bastante de acordo com o tipo de tumor. Na verdade, enquanto que o osteoma raramente se torna maligno, o osteoclastoma pode tornar-se maligno em cerca de 15% dos casos, uma proporção superior aos encondromas e aos osteocondromas múltiplos.

Informações adicionais

Tratamento

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O tratamento dos tumores benignos do osso baseia-se na extracção cirúrgica da massa anómala, normalmente bem delimitada do tecido saudável adjacente. Costuma-se recorrer a este tipo de tratamento por vários motivos: por um lado, para eliminar os eventuais incómodos e para impedir que o tumor, durante o seu crescimento, possa chegar a comprimir as estruturas vizinhas, como articulações ou nervos; por outro lado, porque existem determinados tipos de tumores que se podem tornar malignos com o passar do tempo, apresentando um prognóstico incerto.

Caso seja necessário eliminar uma parte considerável do osso afectado, por vezes, é necessário proceder a um transplante ósseo ou à aplicação de uma prótese.

A intervenção cirúrgica, cuja técnica depende da localização e tipo do tumor, acaba definitivamente com o problema e evita eventuais riscos no futuro.

O médico responde

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O médico diagnosticou um quisto ósseo ao meu filho e diz que tem de o operar. É uma situação grave?

O quisto ósseo é uma cavidade que se forma no interior do osso, repleta de um líquido claro e rodeada por uma cobertura lisa que a separa do tecido saudável, costumando manifestar-se entre os 5 e os 15 anos de idade e encontrando-se localizada nos ossos longos dos membros. Embora actualmente ainda não se conheça com precisão a origem do quisto ósseo, pensa-se que pode ser provocado por um defeito no crescimento do osso. Ainda que não seja perigoso, o quisto ósseo pode originar vários tipos de complicações: caso o seu crescimento provoque a dilatação do osso cortical, acaba por favorecer a ocorrência de fracturas. Por esta razão, quando se diagnostica a doença, costuma-se recorrer a uma intervenção cirúrgica na qual se remove o conteúdo líquido do quisto e se procede à raspagem da sua parede, de forma a posteriormente se encher a cavidade com um implante de fragmentos de osso.

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