Dor de cabeça (cefaleia)

A dor de cabeça, ou cefaleia, é um sintoma ocasional e temporário de inúmeras doenças, embora em alguns casos constitua a principal manifestação de um problema específico, podendo ela própria constituir uma doença.

Cefaleia de tensão

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Este tipo de cefaleia, o mais comum, é provocado por situações de tensão psíquica que originam a contracção sustentada dos músculos do pescoço e do couro cabeludo, estimulando os receptores de dor existentes na pele nessa zona. Embora o esforço mental consequente à situação de stress seja grande, a dor costuma ser provocada pela disposição ou atitude da pessoa nessa ocasião. A dor vai progressivamente manifestando-se e costuma ser mais intensa ao final do dia em que a pessoa viveu a situação de stress. A dor é do tipa opressiva e costuma localizar-se na nuca, com tendência para se alastrar para a parte superior da cabeça, nomeadamente para a região frontal, de onde se estende para os lados e para a parte de trás da cabeça. A cefaleia costuma persistir até que a pessoa afectada vá dormir, pois não impede o sono; na maioria dos casos, ao acordar na manhã seguinte, a dor já terá desaparecido, pois os músculos contraídos tendem a relaxar-se durante a noite. De qualquer forma, caso a situação que provocou o aparecimento da dor se repita noutras ocasiões, pode reaparecer nesse mesmo dia e repetir-se diária ou intermitentemente durante períodos mais ou menos prolongados, até que os factores responsáveis pelo problema, em cada caso específico, sejam alterados.

Os analgésicos normais, como o ácido acetilsalicílico ou o paracetamol, são muito úteis no combate à cefaleia, pois costumam eliminar eficazmente a dor. Contudo, se a dor se repetir, o fundamental é tentar alterar as situações que constituem a fonte de tensão psíquica, como o excesso de trabalho, um problema familiar, etc. Em alguns casos concretos, o médico pode recorrer à utilização de medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos e, normalmente, costuma ser muito útil recorrer a sessões de psicoterapia, que ajudem a resolver os conflitos desencadeadores, ou a um outro método de relaxamento, como a acupunctura ou outras técnicas de fisioterapia.

Enxaqueca

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A enxaqueca é uma manifestação que se caracteriza por crises frequentes de intensas dores de cabeça que costumam ser acompanhadas por outras manifestações típicas, como náuseas e vómitos. Esta doença afecta aproximadamente 5% da população, sendo mais frequente nas mulheres e, apesar de poder surgir em qualquer idade, normalmente inicia-se antes dos 20 anos.

Causas. Embora ainda não se conheça a origem exacta da doença, já se concluiu que apenas são afectadas pessoas que apresentem uma determinada predisposição constitucional e hereditária. De facto, a enxaqueca manifesta-se quando algum factor da mais variada índole desencadeia uma reacção que normalmente se divide em duas fases: em primeiro lugar, provoca a contracção sustentada dos vasos sanguíneos que irrigam o encéfalo e o couro cabeludo; depois provoca a dilatação desses mesmos vasos, o que acaba por originar a dor.

Manifestações. A enxaqueca costuma manifestar-se através de constantes dores de cabeça, apesar de a dor poder surgir com frequência diferente de pessoa para pessoa ou em diferentes períodos da vida do paciente. Por vezes, não é possível identificar o motivo da dor, mas normalmente costuma ser provocada por determinados factores precipitantes: por exemplo, uma situação de tensão psíquica ou emocional, o relaxamento consequente a um momento de stress, falta de sono, jejum prolongado, consumo de alimentos ricos em tiramina (chocolate, queijos secos, frutos secos, vinho tinto) ou bebidas alcoólicas, exposição prolongada ao sol, esforços físicos e, nas mulheres, a menstruação. Ocasionalmente, a crise pode ser, durante algumas horas, precedida de uma série de manifestações que o paciente pode identificar como premonitórias: irritabilidade, mau humor, perda de apetite, cansaço, sonolência, etc. Após esta fase, a dor de cabeça manifesta-se de forma mais ou menos brusca e atinge, ao fim de 30 a 60 minutos, o seu pico de maior intensidade. Normalmente, trata-se de uma dor pulsátil em apenas um dos lados da cabeça, nomeadamente na zona frontal e temporal, embora também possa adoptar outras formas e irradiar para outras zonas como, por exemplo, para a zona posterior da cabeça ou para ambos os lados. A dor costuma aumentar com ruídos e luz e é, na maioria dos casos, acompanhada por náuseas e vómitos, que muitas vezes antecedem a recuperação. A duração da crise é variável, normalmente de várias horas; caso não tenha parado antes, acaba por ceder durante o sono, ainda que possa persistir durante um a vários dias. A frequência dos ataques é igualmente variável - por vezes, são isolados, mas existem casos em que se repetem com assiduidade durante alguns períodos, para depois desaparecerem durante vários meses.

Tratamento. Embora não exista nenhum tratamento que a consiga curar definitivamente, existem várias formas de prevenir e atenuar as crises. Perante a manifestação dos sintomas premonitórios, ainda antes do início do ataque, provocados pela contracção dos vasos sanguíneos da cabeça, devem ser administrados medicamentos vasodilatadores, pois estes podem conseguir evitar a dor. Contudo, após a manifestação da dor, deve-se recorrer a vasoconstritores (ergotamina, cafeína) e analgésicos (quer sejam mais comuns, como o ácido acetilsalicílico, ou mais potentes, como a codeína), para além de medicamentos que consigam atenuar as náuseas e prevenir o vómito (anti-eméticos). Caso se pretenda reduzir a dor e a duração da mesma, é conveniente manter o repouso, de preferência num quarto silencioso e às escuras, pois algumas horas de sono permitem a completa recuperação. Como medida de prevenção, convém identificar os factores precipitantes para os evitar sempre que possível. Caso os ataques se repitam com alguma frequência, o médico pode optar por receitar medicamentos preventivos que necessitem de uma administração regular durante um determinado período de tempo, mesmo em caso de ausência de crises.

Informações adicionais

Cefaleia de Horton

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Doença, igualmente designada cefaleia em salvas, caracteriza -se por constantes ataques de intensa dor na região frontal e temporal de um dos lados da cabeça, normalmente acompanhada de lacrimejar, secreção nasal, suores e vermelhidão da metade da cara e do olho. A crise costuma evidenciar-se, por razões ainda por determinar, sem que os factores desencadeantes se manifestem, e persiste durante alguns minutos ou cerca de uma hora (ou poucas horas), até desaparecer por completo, embora exista a possibilidade de se repetir no mesmo dia ou nos seguintes. Normalmente, os ataques manifestam-se durante um a dois meses por vários anos, embora vão sendo cada vez menos frequentes até desaparecerem por completo.

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