A glândula tiróide pode ser o local de desenvolvimento de vários tipos de tumores malignos. O mais frequente e menos agressivo é o carcinoma papilar, de crescimento muito lento e escassa capacidade de disseminação. O seguinte é o carcinoma folicular, igualmente de desenvolvimento lento, mas que apresenta uma maior facilidade de propagação à distância. O menos comum é o carcinoma anaplásico ou indiferenciado: esta forma de cancro, pouco habitual, costuma afectar pessoas de idade avançada e é muito mais perigoso, com um elevado índice de mortalidade. Um outro tipo, igualmente raro, é o carcinoma medular, com a tendência para produzir substâncias hormonais, originando sinais e sintomas específicos.
O desenvolvimento de um tumor maligno na tiróide provoca um aumento do tamanho da glândula, que se evidencia por um inchaço no pescoço. O grau de crescimento costuma ser muito variável: em alguns casos, é lento, formando-se apenas uma pequena proeminência; por vezes, a evolução é rápida, provocando um notório inchaço do órgão. O tumor apresenta uma consistência dura e uma forma irregular, provocando dor quando é palpado, o que ajuda a diferenciar esta doença de outras patologias da tiróide. Caso o tumor cresça demasiado, pode comprimir as estruturas vizinhas, dando origem a diferentes sinais e sintomas. Por exemplo, caso se exerça pressão sobre a traqueia provoca-se um certo grau de dificuldade respiratória e, caso afecte o nervo recorrente laríngeo origina rouquidão ou disfonia. Para além disco, o exagerado desenvolvimento do tumor pode gerar um quadro de asfixia devido à compressão das vias respiratórias.Para além das manifestações locais, o cancro pode disseminar-se à distância (o que se conhece por metástase). De facto, as células cancerosas podem penetrar nos vasos linfáticos e alcançar os gânglios do pescoço, que aumentam de tamanho, ou invadir os vasos sanguíneos e chegar através da circulação a outros órgãos muito mais afastados, como os ossos, pulmões ou fígado, onde surgem novos tumores malignos, originando sinais e sintomas específicos.
A palpação de um inchaço irregular, de consistência dura, sobretudo quando a tiróide parece "fixa" às estruturas adjacentes, leva o médico a suspeitar de um cancro. Para confirmar o diagnóstico, o médico costuma solicitar vários exames, tais como radiografia, gamagrafia, termografia e ecografia. Caso os resultados confirmem a suspeita ou não deixem claro que o tumor é benigno, costuma-se optar pela extracção cirúrgica da tiróide (tiroidectomia). Nestes casos, é apenas durante a intervenção cirúrgica, nomeadamente após se determinar o tipo de cancro e a sua extensão, que se opta pela extracção total ou parcial da glândula. Uma outra possibilidade terapêutica é a administração de iodo radioactivo (I 131), uma substância captada preferencialmente pelas células tiróideas, em doses suficientes, de modo a destruir todo o tecido danificado. Esta medida serve igualmente para combater a metastização do cancro da tiróide.Ambas as opções, tanto a cirúrgica como a radioactiva, provocam um défice de hormonas tiróideas (hipotiroidismo), mas esta situação pode ser solucionada através da administração de medicamentos hormonais, um tratamento que deve ser mantido ao longo da vida.Informações adicionais

A gamagrafia é um exame fundamental para o estudo da patologia da tiróide, de fácil realização e nada incómodo. Consiste na administração de uma substância radioactiva (radioisótopo) com uma afinidade por um determinado tecido e na consequente medição, através de um aparelho especial, das radiações gama emitidas, o que possibilita a obtenção de uma espécie de "mapa" do órgão estudado. Nestes casos, costuma-se utilizar o iodo radioactivo (I 131) já que o iodo é um elemento presente nas hormonas elaboradas pela tiróide e pelo qual esta glândula manifesta uma grande avidez. Em condições normais, o radioisótopo costuma ser captado de maneira uniforme por todo o tecido tiróideo, mas quando existe um tumor pode-se observar que a zona afectada tem um grau de captação diferente ao do tecido normal. Caso se trate de um tumor benigno, a zona correspondente ao nódulo apresenta níveis de captação muito elevados (o que se denomina nódulo quente); caso se trate de um tumor maligno, a captação costuma ser nula na zona afectada (nódulo frio), um sintoma que faz suspeitar da presença de células anómalas incapazes de captar iodo, como o são as cancerosas.

A prevenção do cancro depende da associação estatisticamente significativa entre um determinado factor modificável e a ocorrência de um tumor maligno. De facto, no caso do cancro da tiróide, conhece-se um factor de predisposição muito específico, ou seja, a aplicação de radiações na área do pescoço durante a infância como parte do tratamento local de alguma doença. Constatou-se que esta prática pode conduzir, ao fim de alguns anos, ou seja, em plena idade adulta, ao aparecimento de um cancro na tiróide. Por isso, a utilização deste tipo de terapêutica, em crianças ou adolescentes, no tratamento de algumas doenças banais, como as vegetações adenóides, a amigdalite ou a acne, tal como se fazia até há alguns anos, é considerada hoje em dia totalmente contra-indicada.

Há alguns anos que a minha mãe tem um bócio, que nunca lhe causou grandes problemas. Porém, agora, diz que aumentou de tamanho e lhe provoca dores. Receio que seja alguma coisa grave... Convém consultar o médico?
O mais rápido possível, pois pode-se desenvolver um tumor maligno numa tiróide afectada por bócio simples. Embora esta doença não costume provocar grandes problemas, com o adequado controlo médico, o seu padecimento é um factor de risco para o cancro da tiróide. Por isso, deve-se considerar sempre esta possibilidade perante um brusco aumento de tamanho e caso se detecte um inchaço doloroso, pois são sintomas que reflectem o desenvolvimento de um nódulo e a consequente inflamação dos tecidos circundantes. Assim, deve-se realizar todos os exames necessários para eliminar ou confirmar a presença de um tumor maligno.
Para saber mais consulte o seu Endocrinologista ou o seu Oncologista