Doenças do diafragma

O diafragma, músculo que separa a cavidade torácica da abdominal e o mais potente dos músculos respiratórios, pode ser alvo de várias alterações.

Subida do diafragma

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Em condições normais, o diafragma tem a forma de uma abóbada, com a convexidade apontada para a cavidade torácica. Esta forma deve-se a vários mecanismos: por um lado, o diafragma é submetido a uma forte pressão proveniente da cavidade abdominal, que o empurra para cima; por outro lado, é igualmente submetido a uma força de tracção provocada pela pressão negativa da cavidade torácica, que o impulsiona igualmente para cima. Por vezes, apesar de estar bem fixo a várias estruturas anatómicas que o mantêm no seu sítio, o diafragma desloca-se de forma anómala para cima, num processo designado subida do diafragma.

Causas. Entre as causas mais frequentes, é preciso destacar algumas doenças pulmonares que provocam uma descida da pressão intratorácica: por exemplo, a atelectasia, o colapso pulmonar e várias doenças que provocam um aumento da pressão na cavidade abdominal, como a obesidade, o meteorismo e o aumento do volume do fígado.

Manifestações. Quando o diafragma sobe, comprime os pulmões e, se a subida for significativa, costuma originar vários sintomas torácicos e respiratórios. Nestes casos, um dos sintomas mais comuns é uma dor que se alastra em forma de círculo em redor do tórax, por baixo do esterno e nas últimas costelas. Um outro sintoma frequente é a dificuldade em respirar e a sensação de falta de ar.

Descida do diafragma

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Menos frequente do que a subida, a descida do diafragma, ou frenoptose, corresponde a um deslocamento deste músculo respiratório para baixo até à cavidade abdominal, sendo provocado por mecanismos contrários aos que provocam a sua subida. Entre as causas mais frequentes é preciso destacar algumas doenças que provocam um evidente aumento da pressão no interior do tórax, sobretudo a asma brônquica, o enfisema, a pleurite e os derrames pleurais.

Manifestações. Esta alteração da posição do diafragma não costuma gerar manifestações significativas. Todavia, nos casos raros em que a descida é muito pronunciada, costumam surgir alguns sintomas provocados pela compressão dos intestinos, como digestões difíceis e sensação de peso abdominal. Para além disso, costumam predominar as manifestações características das doenças causadoras da descida do diafragma, como dificuldade respiratória e dor no tórax.

Paralisia diafragmática

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A paralisia do diafragma consiste na perda da capacidade de contracção deste musculo, provocada por lesão ou alteração nas estruturas que geram ou conduzem os estímulos nervosos que regem a sua actividade.

Causas. Na maioria dos casos, a doença é provocada por traumatismos na zona do pescoço ou tumores pulmonares que podem danificar ou comprimir o nervo frénico, responsável pela transmissão dos estímulos nervosos provenientes do centro respiratório do tronco cerebral, desde a medula espinal cervical até ao diafragma. No entanto, em alguns casos, a doença também pode ser provocada por doenças neurológicas, como a poliomielite, a esclerose lateral amiotrófica, a síndrome de Guillain-Barré, encefalites ou neuropatia alcoólica.

Manifestações. Perante uma falha da estimulação nervosa, as fibras musculares diafragmáticas têm tendência para se relaxarem, o que provoca uma intensa deslocação do músculo para cima. De facto, a paralisia do diafragma provoca sempre a subida do músculo e as suas consequentes manifestações, nomeadamente uma dor torácica e dificuldade em respirar. Por conseguinte, em caso de paralisia, o diafragma perde a sua alternada capacidade de contracção e relaxamento ao longo da inspiração e expiração, deixando de arrastar consigo a cavidade torácica, o que desencadeia um processo contrário, ou seja, é a cavidade torácica que arrasta o diafragma durante estes movimentos, menos potentes e eficazes, agravando a dificuldade respiratória. Assim, excepção feita aos casos em que a paralisia apenas afecta metade deste músculo, a dificuldade respiratória costuma ser muito incómoda, de tal forma que impede frequentemente o paciente de desfrutar de uma qualidade de vida minimamente aceitável, podendo evoluir para uma notória insuficiência respiratória. Nestes casos, apenas um tratamento intensivo, com a utilização de ventilação mecânica, pode manter o paciente com vida.

Informações adicionais

Hérnias diafragmáticas

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Uma hérnia corresponde à saída de uma víscera ou de uma qualquer formação

anatómica através de uma abertura da parede da estrutura em que está inserida. A hérnia diafragmática consiste na passagem anómala de uma estrutura abdominal para a cavidade torácica através de um orifício do diafragma. E possível distinguir vários tipos de hérnias diafragmáticas, de acordo com a localização e natureza do orifício por onde as vísceras saem.

O tipo mais frequente é a hérnia do hiato, em que o segmento inferior do esófago ou parte do estômago deslizam anormalmente para o interior do tórax através do hiato esofágico, o orifício através do qual o esófago normalmente atravessa o diafragma. A hérnia do hiato não costuma provocar sintomas respiratórios, mas sim problemas digestivos (ver capítulo dedicado ao Aparelho digestivo). Noutros tipos de hérnia diafragmática, menos frequentes, a saída de órgãos abdominais efectua-se através de orifícios anómalos, quase sempre provocados por defeitos no desenvolvimento do músculo ao longo da gestação. Estes defeitos do diafragma podem ser muito diversos: por vezes, limitam-se a uma pequena abertura que permite a passagem intermitente de algum órgão abdominal; noutras situações, podem ser muito graves, pois produzem-se em fases muito avançadas do desenvolvimento fetal, apresentando-se muito grandes, de tal forma que a maioria dos órgãos abdominais acabam por se alojar no interior do tórax, uma situação que pode pôr a própria vida do paciente em perigo. Normalmente, as hérnias diafragmáticas provocadas por este tipo de malformações congénitas são as únicas que produzem sintomas respiratórios e estes estão presentes praticamente desde o momento do nascimento.

O tratamento varia de caso para caso e depende da gravidade da hérnia. Nos casos ligeiros, por vezes, nem é necessário nenhum tratamento específico. Por outro lado, quando a hérnia é significativa, deve-se recorrer a uma intervenção cirúrgica, de modo a recolocar os órgãos deslocados na cavidade abdominal e fechar o orifício anómalo do diafragma.

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