Fisiologia
A actividade respiratória é controlada pelo sistema nervoso central, nomeadamente por um centro nervoso localizado no tronco cerebral. Este centro nervoso é composto por três núcleos, um situado no bulbo raquidiano, regulando os movimentos dos músculos inspiratórios e expiratórios, de modo a que a sua actividade se desenvolva alternadamente de maneira rítmica (área da ritmicidade), e outros dois situados na parte saliente, regulando a actividade da anterior (áreas apneustica e pneumotáxica).
O centro respiratório, embora esteja ligado ao córtex cerebral, podendo modificar voluntariamente o ritmo e a profundidade das respirações, actua de forma automática, de modo a manter determinados níveis de oxigénio (02) e dióxido de carbono (CO2) adequados às necessidades do organismo. De forma a desenvolver a sua função, este centro recebe uma constante informação sobre a concentração de gases e a composição química do sangue proporcionada por receptores especializados denominados quimiorreceptores. Existem quimiorreceptores em várias partes do organismo, sobretudo nas carótidas e aorta (quimiorreceptores periféricos) e também nas proximidades do próprio centro respiratório (quimiorreceptores centrais). Além disso, existem outros receptores que informam o centro respiratório do grau de insuflação pulmonar (receptores do estiramento), do estado dos músculos respiratórios (receptores neuromusculares) e da existência de estímulos irritativos nas vias respiratórias (receptores irritantes).
Ao conjugar toda a informação recebida, o centro respiratório consegue regular o ciclo dos movimentos respiratórios, que normalmente se situa entre os 12 e os 18 movimentos por minuto numa idade adulta e com uma frequência superior nas crianças pequenas. Na verdade, em condições normais, o centro respiratório apenas provoca activamente a inspiração, essencialmente através da contracção do diafragma e dos músculos intercostais externos, tendo em conta que a expiração produz-se de forma passiva, graças à elasticidade das paredes do tórax. De facto, só quando as circunstâncias o exigem, sempre que se produzam situações que aumentem as exigências de oxigenação (como o exercício físico) ou perante a existência de problemas nas vias respiratórias, é que o centro respiratório activa os músculos inspiratórios auxiliares (esternocleidomastoideu, dentados anteriores) ou alguns músculos que aumentam a força da expiração (intercostais internos, musculatura abdominal).
Causas e consequências
A paragem respiratória é provocada pelo cessar da actividade do centro respiratório, o que dá origem a uma interrupção dos movimentos espontâneos de inspiração (entrada de ar nos pulmões) e expiração (saída de ar dos pulmões para o exterior). Existem várias causas que podem desencadear esta situação: a existência de alterações de origem neurológica que provoquem danos no centro respiratório (tumores, traumatismos cranioencefálicos, acidentes vasculares cerebrais, etc.); a paralisia dos músculos respiratórios (poliomielite, miastenia grave, tóxicos como o curare, etc.); o excesso de drogas que prejudiquem a actividade do centro respiratório (sedativos, opiáceos); qualquer outro problema que provoque uma concentração sanguínea excessivamente baixa de oxigénio. De facto, praticamente todas as alterações que podem causar uma insuficiência respiratória grave e, por conseguinte, uma oxigenação deficiente acabam também por provocar uma paragem respiratória. Pelo mesmo motivo, a existência de qualquer obstáculo nas vias respiratórias a ponto de impedir a chegada de ar aos pulmões (corpo estranho, edema da laringe, espasmos, tumores, etc.) e todas as situações que provoquem um quadro de asfixia, tais como afogamento, enforcamento, estrangulamento, asfixia (por exemplo, com um saco de plástico), sepultação, intoxicação por fumos e gases (monóxido de carbono) em incêndios, entre outros, provocam uma paragem respiratória. Por ultimo, é preciso destacar a paragem da circulação sanguínea, pois ao fim de pouco tempo pode provocar uma paragem respiratória.
Independentemente da causa, quer sejam súbitas ou precedidas pelos sinais e sintomas próprios de uma insuficiência respiratória, as paragens respiratórias tendem a originar sempre as mesmas consequências, na medida em que a rápida descida do nível sanguíneo de oxigénio provoca uma alteração da consciência, podendo a vítima entrar em estado de coma. Pode-se verificar ainda uma paragem cardíaca, a qual pode levar à morte da vítima se não forem iniciadas as manobras de suporte básico de vida.
Tratamento: respiração artificial
O único gesto possível perante uma pessoa que sofre uma paragem respiratória consiste na insuflação artificial de ar para os seus pulmões, com o objectivo de assegurar uma oxigenação mínima, enquanto se tenta resolver a situação com as medidas adequadas a cada caso. Embora este gesto possa ser efectuado num centro médico com aparelhos específicos (os ventiladores), quando o problema é inesperado, o único recurso consiste nas manobras de suporte básico de vida que devem ser feitas imediatamente pelas testemunhas, de modo a salvar a vida da vítima.
Primeiros socorros
Após se diagnosticar uma paragem respiratória, da forma anteriormente referida, os primeiros socorros devem ser iniciados com a vítima na posição já descrita. Em primeiro lugar, é preciso assegurar que a via aérea está permeável, ou seja, que não existe nenhum obstáculo à passagem de ar até aos pulmões. Em seguida, deve-se proceder à respiração artificial. Embora existam vários métodos para efectuar a respiração artificial, o único que se considera realmente eficaz, e por isso deve ser praticado pelo socorrista mesmo que não tenha qualquer experiência, é o denominado boca a boca, ou caso não seja possível, devido à existência de lesões na boca que o impeçam, o denominado boca-nariz.
Desobstrução e abertura da via aérea. Quando se detecta que uma pessoa deixou de respirar, para o comprovar, é fundamental realizar determinadas manobras específicas, com vista a garantir a permeabilidade da via aérea. Em primeiro lugar, deve-se ter em conta que pode haver no interior da boca secreções ou um corpo estranho, nomeadamente uma prótese dentária que impeça a passagem de ar, e também que numa pessoa inconsciente a língua pode cair para trás e impedir o fluxo de ar. Nestes casos, devem ser realizadas duas manobras básicas. A primeira consiste em exercer força com uma mão sobre o queixo da vítima para baixo, de modo a abrir-lhe a boca, e com os dedos da outra mão retirar do interior da boca qualquer elemento presente. A segunda destina-se a separar a língua da parede posterior da faringe e, dessa forma, assegurar a máxima permeabilidade da via aérea. Para isso, deve-se apoiar uma mão na fronte da vítima e com a outra agarrar o seu queixo, deslocando a fronte para baixo e para trás, ao mesmo tempo que se exerce tracção sobre o maxilar inferior para cima e para a frente. Em seguida, e após confirmar que a língua não obstrui a via aérea, deve-se verificar se há ou não ventilação e, caso não haja, iniciar a respiração artificial.
Método boca a boca. A prática consiste em introduzir o ar proveniente da expiração do socorrista nos pulmões da vítima, através do contacto directo das bocas de ambos. Para evitar fugas de ar, o socorrista, ajoelhado junto à vítima, deve tapar o nariz da vítima com os dedos polegar e indicador da mão que estiver apoiada na fronte e exercer tracção sobre o queixo com a outra mão, como já foi descrito anteriormente, de modo a manter a boca entreaberta. Então, o socorrista deve inspirar profundamente e reter o ar, depois apoiar a sua boca sobre a da vítima, de forma a tapá-la por completo para que não exista nenhuma fuga de ar, e soprar com força, mas lentamente, enquanto verifica se o peito da vítima se eleva. Nesse momento, o socorrista deve retirar a sua boca, embora mantendo as mãos na mesma posição, para permitir que os pulmões da vítima se esvaziem, sem que seja necessário efectuar alguma manobra específica, pois as elásticas paredes do tórax retraem-se de forma espontânea. Após comprovar a descida do peito da vítima, o socorrista deve repetir consecutivamente a insuflação, em média cerca de doze insuflações por minuto.
Se se detectar uma paragem cardíaca, para além da paragem respiratória, a respiração artificial deve ser acompanhada por uma massagem cardíaca; nesse caso, quando apenas
actua um socorrista, este deve efectuar alternadamente duas insuflações e quinze compressões torácicas ao nível do terço médio do esterno; se forem dois socorristas, o ritmo perfeito seria efectuarem uma insuflação para cinco massagens cardíacas.
Método boca-nariz. Caso a vítima apresente lesões na boca que impeçam a realização do método previamente descrito, as insuflações também se podem realizar através do seu nariz. Para isso, em vez de tapar o nariz, o socorrista deve fechar a boca da vítima, segurando-lhe o maxilar com a mão que tem colocada sobre o queixo ou tapando-lhe a boca, se não houver nenhum impedimento para a fechar, de forma a assegurar que não ocorrem fugas de ar durante as insuflações ou, se existirem, que as mesmas são o mais reduzidas possível. De modo a efectuar cada insuflação, o socorrista deve ajustar a sua boca ao nariz da vitima, de forma a abranger por completo ambos os orifícios nasais e sem deixar qualquer abertura. No fim de cada insuflação, e seguindo as mesmas considerações explicadas em referência à respiração boca a boca, o socorrista deve desviar a cara e abrir ou destapar a boca da vítima, de modo a facilitar a saída do ar. O procedimento deve ser repetido com a mesma frequência do método boca a boca.

Destinado a obesos e/ou diabéticos sem outros factores de risco, o PIAF tem como objectivo promover a saúde e prevenir a doença.