Pneumoconiose

O termo pneumoconiose designa uma série de doenças pulmonares provocadas pela constante inalação de determinadas partículas suspensas no ar.

Mecanismos de produção

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O aparelho respiratório conta com uma série de mecanismos destinados a filtrar e a eliminar as partículas que se encontram suspensas no ar que inalamos. As partículas de maior tamanho costumam ser repelidas pelos pêlos que se encontram em redor dos vestíbulos nasais ou retidas no muco que reveste as fossas nasais, sendo posteriormente arrastadas pelos movimentos dos cílios das células da mucosa até à faringe ou expulsas para o exterior através de espirros. Por vezes, as mais pequenas conseguem superar estas barreiras e chegar aos brônquios.

A maioria destas pequenas partículas são expulsas com o ar expirado, podendo igualmente ficar presas às pegajosas secreções que revestem as vias aéreas inferiores, sendo depois arrastadas pelos movimentos ciliares para a faringe, onde são posteriormente deglutidas. Contudo, algumas escapam a este sistema de "varrimento", o que lhes permite chegar aos alvéolos, onde existe um outro mecanismo protector, onde são detectadas e absorvidas por células defensivas (os macrófagos), que procedem à sua eliminação evitando o seu contacto directo com o tecido pulmonar. Estes sistemas defensivos são muito eficazes perante a inalação ocasional de partículas. No entanto, quando uma pessoa, na sua actividade ou profissão, inala repetidamente ar repleto de determinado tipo de reduzidas partículas durante longos períodos, estes mecanismos de defesa podem tornar-se insuficientes. Neste caso, deposita-se no tecido pulmonar um número progressivamente maior de partículas, provocando lesões que caracterizam os vários tipos de pneumoconioses.

Existem diferentes tipos de pneumoconioses, embora os mais frequentes sejam a silicose e a asbestose.

Silicose

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A silicose, a pneumoconiose mais frequente, produz-se a partir da constante inalação de partículas de sílica ou óxido de silício, um mineral que se encontra no quartzo sob a forma de cristais.

A acumulação de partículas de sílica nos pulmões desencadeia uma reacção inflamatória que origina o desenvolvimento de lesões específicas, os nódulos silicóticos, que progressivamente se tornam maiores e mais númerosos. À medida que a doença avança, desenvolve-se uma fibrose pulmonar, ou seja, uma dilatação e endurecimento do tecido pulmonar, que perde a elasticidade que o caracteriza, provocando alterações na troca de gases entre o ar dos alvéolos e o sangue que circula pelos capilares pulmonares.

A silicose é considerada uma doença profissional, pois afecta essencialmente as pessoas que desenvolvem as suas tarefas quotidianas nas indústrias e em actividades onde são utilizados elementos que contêm sílica (quartzo, areia, granito).

Evolução. A doença evolui muito lentamente, de tal forma que os sintomas apenas costumam surgir ao fim de cerca de 15 a 20 anos de exposição constante. Os sintomas iniciais mais frequentes são a tosse produtiva, por vezes com vestígios de sangue. Paralelamente, o paciente manifesta uma progressiva sensação de falta de ar e dificuldade em respirar, que inicialmente são provocadas pelo esforço físico, mas que nas fases mais avançadas, quando já se desenvolveu uma insuficiência respiratória, manifestam-se mesmo em situação de repouso.

Ao longo da evolução da doença, que é lenta, também se podem manifestar várias complicações, como a insuficiência cardíaca, pneumonias e tuberculose.

Tratamento. Não existe nenhum tratamento específico para curar as lesões pulmonares provocadas pela silicose, pois a única medida eventualmente eficaz para travar a evolução do problema consiste no abandono da actividade que provoca a inalação de partículas de sílica. Por isso, quanto mais cedo se efectuar o diagnóstico e interromper a actividade, melhor será o prognóstico. Simultaneamente, devem ser tomadas as medidas adequadas para aliviar os sintomas e prevenir as complicações, sobretudo com o abandono do tabaco e a fisioterapia respiratória, para favorecer a drenagem das secreções brônquicas.

Asbestose

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A asbestose é uma pneumoconiose provocada pela inalação de partículas de asbesto ou amianto, um mineral fibroso e cristalino, cuja composição engloba a sílica, utilizado no fabrico de diversos elementos pelas suas propriedades termorresistentes e isoladoras. Costuma afectar os mineiros encarregues de extrair este mineral e os trabalhadores das indústrias que o utilizam, embora também possa afectar as pessoas que habitam próximo das mesmas e os familiares dos trabalhadores, pois o asbesto irradia-se facilmente através do ar, sendo transmissível através das roupas.

Como as fibras de amianto são suficientemente pequenas para penetrarem, após serem inaladas, nos alvéolos, mas demasiado volumosas para serem absorvidas pelos macrófagos alveolares, vão-se acumulando progressivamente no tecido pulmonar, dando origem a uma reacção inflamatória que, por sua vez, conduz a uma fibrose pulmonar.

Evolução. As manifestações costumam aparecer ao fim de 15 a 20 anos de exposição as fibras de amianto, destacando-se a sensação de falta de ar e a dificuldade em respirar, que se agrava progressivamente. Um outro sintoma frequente é a tosse, normalmente seca, embora nos fumadores possa ser acompanhada por expectoração. Caso o processo não seja travado, em fases mais avançadas, a doença pode complicar-se para uma insuficiência respiratória e cardíaca. Além disso, como o asbesto é um mineral cancerígeno, uma outra complicação frequente é o cancro do pulmão (afectando praticamente 35% dos pacientes nas fases avançadas).

Tratamento. Embora não exista um tratamento específico contra a asbestose , o mais importante é que o diagnóstico se realize o mais rápido possível e o paciente interrompa de imediato o contacto com o asbesto. Contudo, devem ser tomadas as medidas necessárias para o alívio sintomático

Informações adicionais

Medidas de higiene e prevenção no meio laboral

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• Adoptar as devidas precauções para evitar que se levante pó.

• Assegurar a ventilação do ambiente através de extractores.

• Utilizar sistematicamente máscaras e fatos de protecção.

• Caso trabalhe num ambiente com amianto, deve tomar banho no final de cada turno.

• Não fumar.

• Submeter-se a inspecções médicas periódicas.

Actividades que favorecem a exposição à sílica ou asbesto

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Sílica

• Mineração: minas de zinco, ferry, antracite, prata, ouro e estanho.

• Pedreiras de quartzo, ardósia e granito.

• Areais, elaboração de metais onde se utiliza a areia para efectuar moldes.

• Utilização de esguichos de areia para restaurar fachadas ou realizar gravuras em  vidro ou mármore.

• Utilização de papel de lixa ou esmeril.

• Polir e esmerilar pedra e metais.

• Fabricas de loiça e cerâmica.

• Fundição de ferro.

• Construção de túneis.



ASBESTO

• Fabrico de pavimentos.

• Fabrico de fibrocimento.

• Fabrico de elementos destinados a resistir a fricções, sobretudo na indústria    automóvel e naval.

• Fabrico de materiais ignífugos.

• Fabrico de isolantes térmicos.

Para saber mais consulte o seu Especialista em Medicina do Trabalho ou o seu Pneumologista
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