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Abcessos perifaríngeos

Mecanismos de produção

Um abcesso corresponde a uma aglomeração de pus, um líquido viscoso e amarelado formado por restos de bactérias causadoras de uma infecção e por células imunitárias que combatem os agentes patogénicos. Trata-se de uma complicação que surge quando um processo infeccioso não é tratado de forma correcta ou quando, por alguma razão, o sistema imunológico não actua eficazmente no início do mesmo, obrigando ao desenvolvimento de um segundo mecanismo defensivo, ou seja, a formação de uma cápsula fibrosa em torno da zona infectada, dentro da qual se acumula pus, que impede a propagação dos microrganismos.

Fala-se de abcesso perifaríngeo quando o abcesso ocorre nos tecidos adjacentes à parede faríngea. A zona onde mais frequentemente se desenvolvem abcessos deste tipo é a que envolve as amígdalas palatinas. De facto, os microrganismos costumam penetrar neste espaço durante uma amigdalite aguda, um processo infeccioso que, na maioria dos casos, desaparece sem provocar problemas, graças ao tratamento adequado; porém, em determinadas circunstâncias, pode dar origem a esta complicação. Entre os factores que favorecem a complicação de uma infecção aparentemente não muito grave, como é o caso da amigdalite aguda, com o desenvolvimento de um abcesso perifaríngeo, destacam-se os seguintes:

• Tratamento inadequado: por exemplo, quando o paciente não cumpre com rigor as indicações das doses e da duração do tratamento antibiótico.

• Falha das defesas locais: amigdalite e faringite crónica.

• Redução das defesas do organismo.

Tipos e sintomas

De acordo com a sua localização, possível distinguir vários tipos de abcessos faríngeos, cada um com características específicas.

Abcesso periamigdalino. É o mais frequente, situado junto a uma das amígdalas palatinas. Na maioria dos casos, forma-se durante uma amigdalite, embora os sintomas apenas se comecem a evidenciar, regra geral, entre seis a oito dias após o seu quando o processo já deveria estar na fase de remissão. Os sintomas mais importantes são a subida da febre, com mal-estar geral e sensação de prostração, dores de garganta que, embora apenas afectem um dos lados, se alastram ao ouvido do mesmo lado e acentuam-se ao mover a cabeça e ao deglutir. Além disso, os gânglios linfáticos que se encontram por baixo e por trás do maxilar inferior do mesmo lado inflamam-se e a pele que os reveste encontra-se tumefacta e vermelha. Em alguns casos, o paciente inclina a cabeça para o lado oposto da lesão e evita abrir a boca, para aliviar a dor, o que é quase impossível devido a uma contracção espasmódica dos músculos da zona. Outros sintomas frequentes são a acumulação de saliva na boca, pois a sua deglutição provoca dor e mau hálito.

Quatro dias após o início do processo, já é possível observar, junto a amígdala, a presença de uma tumefacção avermelhada e flutuante que corresponde ao próprio abcesso. Caso não se proceda ao seu tratamento adequado, o abcesso continua a crescer, o que pode provocar, mais tarde ou mais cedo, uma abertura na sua cápsula fibrosa e a consequente saída de pus para o exterior. Também habitual que a infecção ultrapasse a cápsula fibrosa e afecte outros tecidos, provocando complicações como um abcesso laterofaríngeo, uma laringite ou uma obstrução das vias respiratórias.

Abcesso laterofaríngeo. Localiza-se na parede lateral da faringe e costuma ser a complicação de um abcesso periamigdalino ou de uma infecção dentária. Os sintomas, embora similares aos do abcesso periamigdalino, são mais intensos. Caso não se proceda ao seu tratamento adequado, é possível que ocorra alguma complicação grave, como a extensão da infecção aos vasos sanguíneos do pescoço e, eventualmente, a passagem dos microrganismos para o sangue, o que pode vir a ter várias repercussões.

Abcesso retrofaríngeo. Situa-se na parede posterior da faringe e mais comum nas crianças, constituindo normalmente uma complicação de uma infecção aguda da amígdala faríngea (adenoidite aguda) não tratada. Os sintomas são similares aos do abcesso periamigdalino, embora costume predominar a dificuldade em engolir os alimentos.

Tratamento

O tratamento passa por aliviar os sintomas e erradicar a infecção. Para aliviar os sintomas, indica-se repouso, medicamentos analgésicos e antipiréticos, uma dieta baseada em alimentos leves a temperatura ambiente ou frescos e líquidos abundantes, também a temperatura ambiente ou fria. Na primeira fase da doença, quando o abcesso ainda não está completamente formado, é possível erradicar a infecção através da administração de antibióticos específicos. Por outro lado, quando o abcesso já está maduro, costuma ser necessário realizar uma pequena intervenção cirúrgica, a qual consiste na realização de uma incisão na parede do mesmo para permitir que o pus saia para o exterior.

Por fim, em alguns casos, costuma-se recorrer a extracção cirúrgica da amígdala para prevenir a formação de novos abcessos.



INFORMAÇÕES ADICIONAIS

0 médico responde [+]
Como sofro de amigdalite crónica, tenho com alguma frequência dores de garganta, mas agora detectei a formação de um inchaço avermelhado à frente da amígdala direita que provoca uma dor intensa. E possível que seja um abcesso?

Afirmativo. Os abcessos formados em redor das amígdalas constituem complicações habituais das amigdalites crónicas e costumam provocar dares intensas. E muito importante que consulte rapidamente um médico, pois o seu tratamento precoce é mais simples e eficaz e, além disso, evita que a infecção se propague a outros tecidos.

Drenagem do abcesso [+]
Os abcessos são cavidades anómalas cheias de pus e rodeadas por uma cápsula resistente fabricada pelo sistema defensivo do organismo, para evitar que a infecção se propague a outros tecidos.

Todavia, em muitos casos, a crescente pressão no seu interior provoca a formação de perfurações ou fendas na cápsula, o que faz com que os microrganismos consigam invadir os tecidos vizinhos.

Como os antibióticos não conseguem atravessar esta cápsula fibrosa, sempre que um abcesso perifaríngeo já se encontre maduro, a única madeira de erradicar a infecção e prevenir a ruptura espontânea da cápsula e a consequente disseminação dos microrganismos é proceder a realização de um pequeno corte na sua superfície e drenar o pus presente no seu interior. Este simples procedimento, que se costuma realizar sob anestesia local, requer apenas alguns minutos e não origina problemas muito graves. Geralmente, deixa-se a incisão aberta para que todo o pus saia, até o abcesso secar e o tecido cicatrizar.

Imagem Editora

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