Amígdala faríngea
A amígdala faríngea é uma pequena massa de tecido linfóide situada no tecto da nasofaringe, imediatamente por trás do local de confluência das fossas nasais neste canal. Esta estrutura e outras relacionadas que estão distribuídas ao longo de toda a faringe, nas quais se incluem as amígdalas palatinas que se encontram no fundo da cavidade bucal, são ricas em glóbulos brancos e estão encarregues de filtrar e eliminar os micróbios presentes no ar e nos alimentos. A amígdala faríngea, pela sua localização no ponto em que confluem as fossas nasais, é essencial na filtração e eliminação dos microrganismos suspensor no ar que penetra nas vias aéreas. Esta função defensiva é particularmente importante ao longo da infância, pois a partir da puberdade a amígdala faríngea vai-se atrofiando progressivamente até praticamente desaparecer na idade adulta.
Embora seja normal que a amígdala faríngea aumente nos primeiros anos de vida, por vezes, o seu crescimento é excessivo e permanente, originando uma série de sintomas e de outras complicações. Nestes casos, a amígdala para além de adquirir um volume muito maior do que o normal, ganha um aspecto similar ao de um arbusto - por isso, a doença é conhecida como "vegetações adenóides".
Causas
Hoje em dia, acredita-se que a amígdala faríngea apresenta em muitas crianças, talvez por razões genéticas, uma constituição que favorece o desenvolvimento de vegetações adenóides. No entanto, para além desta predisposição, a causa mais importante para o desenvolvimento das vegetações adenóides é o padecimento de episódios repetidos de adenoidite, ou seja, infecções da própria amígdala faríngea. De facto, todas as circunstâncias que possam desencadear uma adenoidite favorecem, de forma indirecta, o desenvolvimento de getações adenóides: por exemplo, processos infecciosos de tecidos contíguos, sobretudo rinites e faringites, alterações bruscas da temperatura ambiente e exposição ao frio.
Sintomas e complicações
Os sintomas apresentam-se progressivamente, ao longo de vários meses ou anos, conforme a criança sofra episódios repetidos de adenoidite aguda. Esta doença manifesta-se principalmente através de febre, mal-estar geral, dificuldade em respirar, dor de garganta, obstrução nasal e secreções nasais e faríngeas abundantes. Todos estes sintomas são muito similares aos que provocam a faringite e a amigdalite agudas nas crianças, doenças que acompanham com muita frequência todos os episódios de adenoidite aguda.
Após a sucessão de vários episódios deste tipo, a amígdala faríngea encontra-se dilatada e adopta o aspecto que caracteriza as vegetações adenóides. Neste caso, as manifestações mais importantes são a obstrução das vias aéreas superiores e a dificuldade em respirar pelo nariz, o que faz com que a criança tenha dificuldade em respirar pela boca, que mantém sempre aberta, até durante o sono, o que provoca uma sensação de secura bucal quase permanente. Além disso, caso a obstrução respiratória seja muito grave e persistente, é possível que surjam outros problemas provocados pela falta de oxigenação dos tecidos e, inclusive, um atraso no desenvolvimento físico e intelectual.
Além da obstrução das vias aéreas superiores, são frequentes as secreções mucosas que se formam nas vegetações adenóides e percorrem a faringe até ao esófago, como se pode observar no fundo da cavidade bucal. Para além disso, a presença destas secreções costuma provocar mau hálito, alterações do paladar e do olfacto, bem como acessos de tosse.
Por outro lado, as vegetações adenóides constituem um foco infeccioso, a partir do qual os microrganismos podem facilmente estender-se aos tecidos adjacentes e provocar faringites, rinites, otites ou o desenvolvimento de abcessos periamigdalinos. Devido a presença de abundantes secreções no local em que desaguam as trompas de Eustáquio, as quais permitem a comunicação entre a rinofaringe e o ouvido médio, as crianças com vegetações adenóides apresentam, por vezes, um défice auditivo.
Tratamento
O tratamento de episódios agudos de adenoidite é semelhante ao de uma rinite ou de uma inflamação da mucosa nasal: líquidos abundantes, inalações de produtos para descongestionar a mucosa nasal (nas crianças, basta instilar umas gotas de soro fisiológico através dos orifícios do nariz), administração de analgésicos e antipiréticos; caso a infecção seja bacteriana, antibióticos.
Quando as vegetações já se encontram desenvolvidas, o tratamento depende da gravidade de cada caso. Caso os sintomas não sejam graves, é preferível esperar até a puberdade, pois nessa altura o tamanho das vegetações costuma diminuir espontaneamente. Por outro lado, caso as vegetações sejam muito grandes e provoquem manifestações graves, deve-se proceder a sua extracção cirúrgica, uma intervenção denominada adenoidectomia.
