Faringe - anatomia e funções

A faringe é um amplo e longo canal situado por trás das fossas nasais e da cavidade bucal que penetra no pescoço, fazendo parte tanto do aparelho respiratório como do aparelho digestivo.

Estrutura

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A faringe é um órgão tubular com a forma de um funil, com cerca de 12 a 14 cm de comprimento e uma amplitude de cerca de 35 mm no seu segmento superior e cerca de 15 mm no inferior. Estende-se frente da coluna vertebral e mantém estreitas ligações com quatro órgãos: as fossas nasais, a cavidade bucal, a laringe e o esófago. Tendo em conta estas ligações, é possível distinguir três segmentos diferentes:

• A faringe superior, igualmente denominada nasofaringe ou rinofaringe, a parte mais larga do órgão, estende-se desde a base do crânio até a parte posterior do palato mole. Ligada pela sua face anterior as fossas nasais, forma uma espécie de passagem sem saída que se dirige para baixo, estabelecendo a ligação directa com a faringe média. Nesta zona da faringe, existem umas estruturas específicas: na parte superior, no tecto da nasofaringe, existe uma formação de tecido linfóide, a amígdala faríngea, enquanto que nas paredes laterais, em ambos os lados, desaguam uns pequenos canais provenientes do ouvido médio as trompas de Eustáquio (em honra de um médico italiano do século XVI).

• A faringe média, denominada orofaringe, directamente ligada cavidade bucal pela sua parte anterior, comunica com a faringe superior.

• A faringe inferior ou laringofaringe, que constitui a continuação natural da faringe média, está ligada pela frente a laringe e por baixo ao esófago.

Amígdalas

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Toda a superfície interior da faringe encontra-se revestida por uma membrana mucosa, na qual existe uma série de acumulações de células pertencentes ao sistema imunitário - os folículos linfóides. Trata-se de formações de diferentes tamanhos com uma função defensiva, situadas estrategicamente, de modo a protegerem a mucosa faríngea - e consequentemente o organismo - dos microrganismos presentes no ar e nos alimentos.

Os folículos linfóides são como pequenos ilhéus, mas alguns deles, designados amígdalas, são volumosos e proeminentes. Os mais importantes são:

• A amígdala faríngea, uma estrutura quadrangular situada no tecto da laringe superior.

• As amígdalas tubárias, duas proeminências igualmente localizadas na faringe superior, mas agora junto a saída das trompas de Eustáquio.

• As amígdalas palatinas ou tonsilas, duas proeminências do tamanho de uma avelã que se encontram nas faces laterais da faringe média.

• A amígdala lingual, formada por uma banda de folículos linfóides situados na base na língua.

A característica mais importante dos folículos linfóides, incluindo as amígdalas, é a existência de inúmeras vilosidades que multiplicam a sua área de superfície, o que lhes permite captar, filtrar e destruir com maior eficácia os microrganismos e os agentes contaminantes provenientes do exterior.

Funções da faringe

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A faringe é o único órgão indispensável para a circulação do ar e dos alimentos.

O ar pode penetrar nas vias aéreas pelos orifícios nasais ou pela boca, mas em ambos os casos tem que passar pela faringe. Se entrar pelos orifícios nasais, o ar dirige-se para a faringe superior, continua o seu caminho pela faringe média e pela inferior, até finalmente chegar a laringe. Por outro lado, caso o faça pela boca, passa directamente para a faringe média e, após atravessar a inferior, encaminha-se igualmente para a laringe. Em qualquer dos casos, posteriormente, o ar continua a sua circulação pela traqueia e pelos brônquios até aos pulmões.

Por outro lado, os alimentos entram sempre no tubo digestivo pela boca e são obrigados a seguir o seu caminho pela faringe média, descendo pelo esófago, após atravessar a inferior, para serem armazenados no estômago, antes de prosseguirem o seu trajecto pelos intestinos.

Esta dupla função da faringe só possível graças a presença da epiglote. Situada na parte superior da laringe, normalmente permanece aberta, permitindo a comunicação aérea entre a laringe e o exterior, mas fecha-se durante a deglutição, bloqueando a entrada da laringe e fazendo com que o bolo alimentar se dirija obrigatoriamente para o esófago.

Informações adicionais

Faringe e vómitos

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O reflexo do vómito d controlado pelo centro do vómito, um grupo de células nervosas especializadas que se situam no bulbo raquidiano.

Na maioria dos casos, este reflexo é desencadeado quando as paredes do esófago ficam irritadas, por alguma razão. Todavia, na parede posterior da faringe média, existem terminações nervosas do nervo glossofaríngeo, que está ligado ao centro do vómito e cuja estimulação também pode activar o dito reflexo. E por esta razão que, quando se efectuam manobras na parte posterior da boca, como acontece quando o médico pressiona a parte posterior da língua para observar a faringe, se pode desencadear um vómito. Normalmente, apenas se produz uma ameaça de vómito, já que uma leve estimulação da garganta acompanhada por náuseas e por uma retracção da parede gástrica, o que é insuficiente para expulsar o conteúdo gástrico para o exterior. Contudo, caso o estímulo seja intenso, como acontece quando se introduzem os dedos na garganta com a intenção de vomitar, esse objectivo é atingido. No entanto, apenas se deve recorrer a este tipo de manobras quando se pensa que o vómito poderá ser realmente benéfico, já que parte do conteúdo gástrico expulso pode ser desviado para as vias respiratórias.

 

A faringe e a deglutição

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A deglutição é um complexo fenómeno que compreende duas fases: a primeira, voluntária, desencadeia-se quando o bolo alimentar é impulsionado pela língua até a faringe, enquanto a segunda, involuntária, corresponde a passagem do alimento por esse canal e depois pelo esófago, de modo a chegar ao estômago.

Durante a primeira fase da deglutição, comandada pela vontade, embora seja elaborada de maneira automática, sucedem-se de forma sequencial e coordenada três processos mecânicos: 1. a base da língua impulsiona o bolo alimentar para a garganta, enquanto a parte posterior do palato mole se eleva, de modo a impedir a sua passagem para as fossas nasais; 2. as paredes da faringe contraem-se de cima para baixo e impulsionam o bolo alimentar nessa direcção; 3. em simultâneo, a epiglote dobra-se (obstruindo a entrada da laringe) enquanto o esfíncter esofágico superior se dilata (permitindo a entrada do bolo alimentar para o interior do órgão).

Durante a deglutição não se pode inspirar ar, pois a laringe permanece fechada. Contudo, no resto do tempo, o esfíncter esofágico superior mantém-se fechado, enquanto a laringe permanece aberta, o que obriga o ar a seguir o seu caminho pelas vias respiratórias.

 

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