Formação do sangue

É na medula óssea e noutros órgãos específicos que se formam constantemente novas células sanguíneas destinadas a substituir aquelas que são continuamente destruídas.

Hematopoiese

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O processo de formação das diversas células sanguíneas, denominado hematopoiese, é efectuado essencialmente na medula óssea e, em menor grau, em alguns órgãos pertencentes ao sistema imunitário (o baço e os gânglios linfáticos).

Na medula óssea, existem células precursoras de todos os tipos de células sanguíneas, as células pluripotenciais, capazes de se reproduzirem a si mesmas e de se dividirem, de modo a originarem as células mãe monopotenciais, preparadas para gerar todo o tipo de linhagem celular sanguínea. Os elementos sanguíneos passam, desde a sua origem nestas células, por um processo de maturação até se diferenciarem em glóbulos vermelhos, glóbulos brancos ou plaquetas e, por fim, passarem para a circulação.

Formação dos glóbulos vermelhos

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O processo de formação dos glóbulos vermelhos denomina-se eritropoiese. Inicia-se com a transformação das células mãe monopotenciais específicas em precursores imaturos dos eritrócitos, os proeritroblastos, que logo se convertem em eritroblastos, células completas, compostas por um núcleo, onde é formado o principal componente dos glóbulos vermelhos, a hemoglobina. Ao longo do seu processo de maturação, estas células perdem o núcleo, convertendo-se em reticulócitos, e passam para a circuação sanguínea - ao fim de 24 horas, completam a sua evolução, transformando-se em verdadeiros glóbulos vermelhos. Todo este processo dura entre 5 a 8 dias, embora possa ser acelerado, se as circunstâncias o exigirem, por exemplo, caso se produzam hemorragias que provoquem a perda de eritrócitos; neste caso, a medula óssea pode chegar a multiplicar por dez a produção de glóbulos vermelhos. A eritropoiese é regulada, basicamente, por uma hormona elaborada no rim, a eritropoietina, embora também seja influenciada por outras hormonas, como os androgénios, as hormonas tiróideas e os glucocorticóides. Além disso, para que o processo seja efectuado com normalidade, é preciso que a medula óssea disponha de uma adequada quantidade de ferro, componente essencial de hemoglobina, de ácido fólico e de vitamina B12.

Formação dos glóbulos brancos

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A formação dos glóbulos brancos engloba vários processos: a elaboração dos leucócitos polinucleares ou granulócitos (granulopoiese), a dos monócitos (monopoiese) e a dos linfócitos (linfopoiese).

No primeiro caso, as células mãe monopotenciais da medula óssea transformam-se nos elementos polinucleares mais imaturos, os mieloblastos, que evoluem sucessivamente até se converterem em promielócitos e mielócitos, os quais dão lugar, por sua vez, a metamielócitos. Ao longo deste processo, o núcleo celular transforma-se até adquirir um aspecto semelhante ao de um bastão, em que as células se constituem em grupos, formando os precursores imediatos dos granulócitos maduros. Todo este processo dura cerca de 8 a 10 dias, após os quais os diversos tipos de leucócitos polinucleares maduros e uma pequena proporção de bandas passam para o sangue.

A monopoiese processa-se igualmente na medula óssea, a partir das células mãe monopotenciais específicas. Antes de mais, estas transformam-se em promonoblastos, depois em promonócitos, convertendo-se, por fim, em monócitos maduros, passando para a circulação sanguínea.

A linfopoiese produz-se basicamente na medula óssea, mas parte do processo de reprodução e maturação dos linfócitos também ocorre no baço, nos gânglios linfáticos e noutros tecidos linfóides. Contudo, durante a vida embrionária, os linfócitos apenas se produzem na medula óssea, circulando a partir daí para os diversos órgãos linfóides, onde completam a sua maturação, adquirem as suas características funcionais específicas e onde, posteriormente, continuam a sua multiplicação. O processo começa com a transformação das células mãe monopotenciais em linfoblastos, que logo se convertem em prolinfócitos e, finalmente, em linfócitos maduros.

Formação das plaquetas

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O processo de formação das plaquetas, ou trombócitos, denominado trombocitopoiese, efectua-se exclusivamente na medula óssea. É um mecanismo específico, tendo em conta que, neste caso, a partir de uma única célula se podem formar inúmeros elementos individuais. Em primeiro lugar, as células mãe monopotenciais convertem-se em megacarioblastos, células que à medida que vão aumentando de tamanho se transformam em promegacariócitos, os quais se diferenciam, por sua vez, até originarem megacariócitos. O citoplasma destas células fragmenta-se em várias unidades, dividindo-as por fragmentos de membranas, e de cada megacariócito formam-se cerca de 4 000 a 5 000 pequenas plaquetas, sem núcleo, que passam para a circulação.

Informações adicionais

Dopagem com eritropoietina

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A eritropoietina é uma hormona natural produzida pelos rins, cujo efeito tem lugar na medula óssea, estimulando a produção de glóbulos vermelhos. A principal função desta hormona consiste em manter a adequada oxigenação do organismo, tendo em conta que, se por algum motivo as necessidades de oxigénio nos tecidos aumentarem ou se se habitar num local onde a concentração de oxigénio é reduzida (como ocorre a grande altitude), produz mais glóbulos vermelhos para aproveitar melhor o oxigénio presente no ar. Esta propriedade é aproveitada de forma fraudulenta por alguns desportistas de elite que, através da repetida administração de eritropoietina, conseguem um aumento da sua massa de glóbulos vermelhos, dispondo assim de uma óptima oxigenação dos tecidos, que lhes permite suportar em melhores condições os esforços prolongados durante a competição.

Aplasia medular

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aplasia medular consiste numa insuficiência funcional da medula óssea, uma situação extremamente grave que implica o défice de todas as células sanguíneas, ou seja, dos glóbulos vermelhos (anemia), dos glóbulos brancos (maior sensibilidade a infecções) e das plaquetas (hemorragias).

Embora, por vezes, se desconheça a sua causa, em alguns casos é consequência de factores muito variados que afectam directamente a medula óssea, tais como intoxicações, infecções virais, exposição a radiações ionizantes ou efeitos secundários de determinados medicamentos. A evolução é muito variável: por vezes, a medula óssea recupera espontaneamente a sua actividade, mas noutros casos a inactividade das células hematopoiéticas persiste indefinidamente. Nestes casos, a única solução para recuperar a função medular é efectuar transfusões que normalizem os valores hematológicos; caso isso não ocorra espontaneamente, o único recurso terapêutico eficaz corresponde ao transplante de medula óssea.

Para saber mais consulte o seu Hematologista ou o seu Imuno-Hemoterapista
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