Angina de peito

A angina de peito é a forma de aparecimento mais frequente da doença coronária, embora não seja a mais grave, caracterizada por uma dor torácica que cede ao fim de pouco tempo.

Factores desencadeantes

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A angina de peito desencadeia-se quando o miocárdio não recebe oxigénio suficiente para satisfazer as suas necessidades, provocando a acumulação de determinados metabolitos no interior das células musculares e a libertação para o espaço extracelular de uma série de substâncias químicas. Estas, ao irritarem as terminações nervosas, proporcionam o aparecimento de uma crise dolorosa típica, o que pode acontecer quando alguma das artérias fica parcialmente obstruída e, em especial, quando as necessidades do coração aumentam, por exemplo, devido a um esforço físico.

Normalmente, a dor surge quando se juntam vários factores que aumentam o volume de trabalho do coração e, consequentemente, as necessidades de oxigénio do miocárdio: por exemplo, quando caminhamos ou quando corremos, sobretudo quando se sobe uma escada, após as refeições (o aparelho digestivo requer mais sangue) e caso faça frio (existe uma maior afluência de sangue na pele). Também pode acontecer que a crise se desencadeie perante uma emoção intensa, tanto de desgosto como de alegria, pois o coração bate mais depressa, aumentando as necessidades de oxigénio.

Manifestações

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A crise de angina de peito caracteriza-se por uma dor no centro do peito, por trás do esterno (dor retroesternal), que pode irradiar para os ombros, para o pescoço e para o maxilar inferior, para as costas ou até para os braços e mãos. Por vezes, a dor só é perceptível no peito, sobretudo no lado esquerdo, alastrando-se apenas até ao braço esquerdo ou até uma determinada localização específica, como o pescoço, o maxilar inferior ou um pulso. Apesar de a dor no peito ser comum em todos os casos, esta nem sempre se estende para os mesmos sítios, embora a dor possa ter ou não a mesma localização.

A dor retroesternal costuma ser do tipo opressiva, como se estivesse algo a comprimir ou a atravessar o peito. A sua intensidade é variável, tanto pode ser muito leve como muito forte, quase insuportável. É sempre acompanhada por uma intensa sensação de angústia, normalmente com suores frios, palidez, náuseas e dispneia.

A duração da crise é curta, habitualmente entre um a dez minutos, às vezes um pouco mais, mas nunca de modo a ultrapassar a meia hora, o que a distingue de um enfarte do miocárdio. A dor pode ceder mais cedo se pararmos o esforço físico que desencadeou o episódio e caso seja administrado um medicamento que dilata as artérias coronárias e rapidamente aumenta a afluência de sangue para o miocárdio.

Evolução e tipos

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As características da angina de peito podem alterar-se ao longo do tempo, sobretudo quando a obstrução das artérias coronárias se acentua progressivamente. No início da doença, os episódios de dor anginosa, produzidos devido ao aumento do trabalho cardíaco provocado por um intenso exercício físico ou emoção, duram apenas alguns minutos - denominam-se de angina de esforço.

Por outro lado, quando a doença está mais avançada, normalmente surgem episódios de angina variante ou atípica, provocados sem que se tenha feito previamente um grande esforço, até mesmo enquanto se está a descansar, o que indicia uma maior estenose das artérias coronárias afectadas.

De qualquer forma, em 1/3 dos casos apenas se produzem poucos episódios de angina de esforço e, aos poucos, os sintomas vão desaparecendo por completo. Nos restantes casos, os episódios de dor continuam a repetir-se e a aumentar de frequência, desencadeando-se então perante esforços cada vez menos intensos ou alterando as suas características.

Designa-se de angina estável quando os episódios dolorosos surgem após a realização de esforços de intensidade semelhante. Normalmente, produzem-se vários episódios de dor por dia ou apenas um, mas sempre com a mesma frequência ou perante situações de esforço físico ou tensão emocional equiparáveis. De qualquer forma, o paciente conhece exactamente as situações que podem conduzir a uma crise. É possível que essa estabilidade se mantenha durante alguns anos; contudo, os factores desencadeantes e os episódios de dor podem modificar-se ao longo do tempo.

Fala-se de angina instável para designar os casos em que a evolução dos episódios de dor é imprevisível, o que acontece quando a doença tem um início recente e não se conseguem ainda determinar as condições que provocam as crises. Mas também pode ocorrer como complicação de uma angina estável, caso os episódios se tornem mais frequentes, mais intensos, mais duradouros ou surjam em repouso.

Informações adicionais

Situação reversível

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Num episódio de angina de peito, a insuficiente irrigação do coração é momentânea e reversível, não provocando sequelas definitivas no miocárdio, o que a distingue de um enfarte.

Prognóstico

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É muito difícil prever a evolução da angina de peito e as suas possíveis complicações. Existem situações, por exemplo, em que esta doença se deve a um espasmo ocasional das artérias coronárias. Noutros casos, a origem é a estenose de alguma artéria coronária que se manteve constante durante anos, o que implica que as crises se produzam repetidamente perante circunstâncias desencadeantes semelhantes como, por exemplo, ao caminhar, ao correr, ao subir escadas... Por fim, existem casos em que a obstrução coronária responsável pelas crises se torna mais acentuada e os episódios de dor se apresentam cada vez mais frequentes e perante esforços cada vez menores. No entanto, em todos os casos, existe algum perigo, difícil de quantificar para cada paciente, pois a situação pode complicar-se de tal forma que se torna fatal. Segundo os dados estatísticos, em cada ano morrem cerca de 4 a 5% das pessoas que padecem de angina de peito estável, enquanto que a angina de peito instável acarreta um risco de mortalidade anual entre os 10 a 20%.

Para saber mais consulte o seu Cardiologista ou o seu Cirurgião Cardiotorácico
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